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2002 / ....


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29-Jun-2008

            Os Nossos Passeios ...

3º Passeio de 2008...

 

1º Passeio AUDIO TT  " À Descoberta do Nordeste "

 

3º Passeio do Clube Audio TT de 2008

 

      A ideia já há muito que andava no ar, mas a sua concretização só agora avançou...   Trata-se nada mais nada menos do que estender as nossas actividades para além de um único dia e levá-las a ocupar um fim-de-semana completo.

 

      Na verdade não é algo de completamente novo para o Clube Audio TT, uma vez que durante 3 anos consecutivos tínhamos já realizado actividades deste tipo, mas nessa altura em conjunto com a Trilhos do Nordeste, entidade com quem tínhamos e de alguma forma continuamos a ter um relacionamento especial.

 

      Agora, a ideia era fazê-lo sem a ajuda e apoio de qualquer outra entidade, o que obrigava a que fossem introduzidas algumas pequenas variações :  Logo para começar, em termos de logística para alojamentos e refeições, e também em termos de definição do percurso, uma vez que estava definido que não iriam haver reconhecimentos prévios.

      Essa mesma falta de reconhecimentos prévios que permitissem assegurar um percurso adequado levava também a uma restrição no número de viaturas participantes de modo a permitir maior agilidade da caravana nos casos em que houvesse que fazer marcha-atrás e procurar outro caminho.

 

      O fim-de-semana foi marcado para os dias 23, 24 e 25 de Maio e a zona escolhida foi o Nordeste, basicamente em torno de Mirandela e de Bragança.   O objectivo traçado era descobrir trilhos agradáveis naquela zona, admirando as belezas naturais que por lá existem, divididos em 3 etapas, que seriam realizadas no Sábado de Manhã, Sábado à Tarde e Domingo de Manhã.

      A “base” foi fixada em Mirandela, onde deveriam ir ter na 6ª Feira ao fim da tarde, ou no Sábado de manhã cêdo, os participantes.   O grupo que apostou nesta “aventura” foi composto por 7 jipes e 13 pessoas, revelando-se como exactamente adequado ao fim em vista.

 

      Depois de um final de tarde de 6ª Feira passado a passear por Mirandela para os que para lá rumaram mais cedo, seguido de um jantar no restaurante “Flor de Sal”, com comida bem confeccionada e géneros de boa qualidade, mas com um custo razoavelmente elevado e que acaba por prejudicar a relação preço/qualidade, foi a altura de juntar mais algumas pessoas que entretanto tinham chegado e ir “beber um copo” enquanto se faziam os últimos preparativos para o dia seguinte.

      O Plano estava traçado !   A 1ª etapa iria levar-nos até próximo de Macedo de Cavaleiros, tentando percorrer trilhos a sul da linha imaginária que une Mirandela a Macedo.   Os trilhos iriam sendo escolhidos a cada momento pela tripulação do jipe que seguia à frente da coluna e, de acordo com o desenrolar dos acontecimentos, esse jipe iria variando de modo a que não fosse só um a ter a oportunidade de ir escolhendo os trilhos.

 

      Finalmente chegou o esperado Sábado e com ele os participantes que só tinham podido vir nesse dia.   Ainda antes da partida, foi feita uma breve ronda por vários estabelecimentos comerciais de modo a abastecermo-nos de tudo o que iria tornar-se no nosso “reforço da manhã” e também, mais tarde, no nosso almoço que seria feito em pic-nic.

 

      Passeio iniciado e 3 ou 4 Km's mais à frente já andávamos um bocadito perdidos à procura de um trilho que tivesse saída e que nos levasse na direcção pretendida...    Confesso que cheguei a temer que iríamos acabar por quase não sair do mesmo sítio andando permanentemente para a frente e para trás que nem baratas tontas, mas enganei-me redondamente e rapidamente começamos a avançar sem contratempos especiais.

      Os trilhos eram bastante variados e o percurso que fomos fazendo revelou-se de uma beleza que deixa marcas na memória de qualquer um.

 

      Já com alguns Km's percorridos e a satisfação estampada na cara de todos, foi feita a paragem para o “reforço da manhã” até porque isto de andar a passear por estes sítios abre o apetite !    A novidade foi mesmo o “café” !    Como os que vão lendo estas crónicas sabem, tipicamente os nossos “reforços da manhã” terminam com um café quente.   Neste caso, contudo, e dado que tínhamos saído de caso no dia anterior ao início da tarde, não levamos o tal café...   Contudo, à falta deste, logo o Barroso resolveu criar um outro tipo de café, que tinha sido comprado em Mirandela, transportado num garrafão e é também conhecido por Moscatel de Alijó...

      A verdade tem que ser dita :    Se o café “normal” é habitualmente um sucesso, este café “especial” ultrapassou largamente esse sucesso !....

 

      Novamente com os motores a trabalhar, lá seguimos à descoberta de mais trilhos e de mais tesouros da beleza natural.   Não o tinha referido ainda, mas é evidente que entretanto fomos também encontrando e ultrapassando zonas um bocadinho mais complicadas, nomeadamente bocados com lama, algumas valas, zonas mais pedregosas, etc...

 

      O momento mais “emocionante” que antecedeu o almoço deveu-se ao encontro com um outro praticante de TT, mas neste caso com 4 patas e uma longas orelhas de camurça em vez das 4 rodas motrizes dos nossos jipes,  que não se mostrava nada convencido a deixar-nos passar encostando-se para a berma do caminho.  Realmente o Burro, pois era esse o animal, mostrava-se fortemente decidido a fazer justiça à sua fama ( teimoso como um Burro !... ) e nada colaborante na tarefa de permitir que nos cruzasse-mos com ele e seguíssemos o nosso caminho.  É claro que nestes casos nunca pode haver só um teimoso, tem de haver pelo menos 2, e nós lá acabamos por ser ainda mais teimosos que o Burro e por conseguir que este nos deixasse passar.

 

      A hora do almoço chegou rapidamente.  Quando se anda satisfeito até parece que o tempo voa, não é verdade ?

      Infelizmente o tempo é que começou a fazer umas “caretas” e chegou mesmo a chuviscar pelo que se impunha encontrar um sítio abrigado para o almoço.  Acabamos por encontrar um antigo lavadouro público, numa aldeia, e lá “abancamos” para atacar as diversas especialidades da região ( e não só... ).   O pão caseiro, o presunto tradicional, o chouriço, o folar, as azeitonas, o queijo, e mais algumas coisas, acompanhados dos bons vinhos do Douro, fizeram as nossas delícias.

 

      Era a altura de dar inicio à 2ª etapa e agora o nosso destino era Bragança.  Uma das coisas que nos tinha despertado a curiosidade era a tentativa de fazer um bocado ao longo da antiga linha de caminho de ferro, que entretanto foi desactivada.

      Mais uns trilhos para aqui e outros para ali, mas sempre na direcção pretendida e lá chegamos nós junto da tal linha de caminho de ferro....

      Jipes no caminho por onde anteriormente tinham passado os comboios e lá vamos nós aos saltinhos, acompanhando o ondulado do trilho.    Uma primeira paragem para estudar como passar numa zona onde tinham caído umas pedras e uma segunda paragem para verificar se deveríamos tentar ultrapassar um morro de terra que tinha sido colocado a obstruir o trilho, mas lá fomos seguindo...   

      Não fizemos muitos Km's ao longo da linha de comboio porque acabamos por achar que não era assim tão interessante quanto isso....    O António insistia veementemente que os jipes não tinham sido inventados para andar a fazer de comboios ;-)....

 

      Se os bocados que fizemos seguindo a linha de comboio tinham apresentado aqui e ali alguma dificuldade, uma parte do que fizemos fora desse trilho foi ainda mais exigente...

      Uma séria de travessias a vau de pequenos riachos, zonas mais ou menos longas de lama e para “terminar em grande” uma zona extremamente fechada em que foi precisa toda a boa vontade do mundo para acreditar que aquilo tinha sido um trilho, tal como as cartas militares da região atestavam.

 

      É claro que entretanto fizemos também uma paragem para um lanche de ocasião.

 

      Com as coisas a correr de um modo espectacular, havendo raramente a necessidade de dar meia volta e voltar para trás, com um conjunto de trilhos bastante variados e com “dificuldades” quanto baste, com uma natureza exuberante a todos os níveis e até com direito a ver gelo, fruto do granizo que tinha entretanto caído, mas sempre antes ou após lá termos passado e nunca nos atingindo, lá fomos até à Serra de Nogueira, aproveitando o restaurante do mesmo nome para fazer o jantar de Sábado.

      A ementa foi, como seria de esperar, a afamada “Posta” da região.   O jantar foi bastante agradável, com uma qualidade que deve ser salientada e trouxe-nos ainda no final uma surpresa muito agradável, uma vez que a refeição ficou verdadeiramente em conta, não chegando aos 10 euros por pessoa.   Não foi a primeira vez que comemos neste restaurante e temos que dizer que o recomendamos vivamente !    Não é um restaurante de luxo, mas a comida é boa e o preço muito aceitável !

 

      No final do jantar, enquanto uns rumavam directamente a Mirandela, um pequeno grupo ainda foi a Bragança e aproveitou para andar a passear fundamentalmente na zona do Castelo.  Chegados a Mirandela, o convívio continuou no bar do Hotel, relembrando as “aventuras” do dia e traçando os objectivos para o dia seguinte.

      A ideia era seguir em direcção a oeste, aproximando-nos de casa, e parando em Franco  para fazer o almoço de encerramento no restaurante “Vera e Pedro”.

 

      A “alvorada” no Domingo foi um pouco mais tardia, de modo a que toda a gente pudesse descansar suficientemente.

 

      A saída de Mirandela foi mais uma vez um bocadito atribulada, obrigando-nos a andar um bocado para trás e para diante até encontrar os trilhos certos para nos levarem para onde pretendíamos seguir.  Contudo, e tal como tinha acontecido no dia anterior, este período foi rapidamente ultrapassado e mais uma vez começamos a escolher e seguir os trilhos que se adequavam aos nossos objectivos.

 

      Os trilhos continuavam a ser variados e interessantes e as paisagens também eram dignas de nota.  Contudo, a maioria dos participantes acabaram por achar que as zonas atravessadas no Sábado eram ainda mais interessantes do que estas que atravessamos no Domingo.

 

      Em termos de “dificuldades”, não houve nada de especialmente digno de nota, continuando a haver aqui e ali uns bocados com lama, umas valas, uns caminhos mais pedregosos e, agora, umas subidas e descidas um pouco mais acentuadas à medida que nos íamos aproximando de Franco

 

      O almoço, servido no restaurante “Vera e Pedro”, foi mais uma vez “Posta”, que é uma das especialidades da casa, e que foi bastante bem servida.  A quantidade foi muito abundante, acabando por sobrar ainda bastante comida, e a qualidade também foi boa.  O preço, ainda que um bocadinho mais caro do que o jantar do dia anterior, foi bastante agradável e nada exagerado.

 

      Era a altura das despedidas e do regresso a casa....    Os comentários apontavam claramente para a necessidade de repetir este tipo de actividades.  Os participantes ficaram realmente conquistados pela forma muito agradável como o fim-de-semana tinha decorrido e a pergunta que se impunha era:   Quando é o próximo ?

 

      Em jeito de balanço pessoal, diria que gostei imenso do fim-de-semana e diria igualmente que fiquei surpreendido pela forma excelente como tudo se conjugou para que os diversos participantes que se foram encarregando de guiar a caravana o conseguissem fazer de uma forma tão eficiente e agradável.  É verdade que eu estava com algum receio relativamente ao que podia correr menos bem numa actividade deste tipo, sem reconhecimentos prévios, mas as minhas melhores expectativas foram claramente superadas !!!

 

      Fica a promessa de que para o ano haverá mais !

 


Rui Martins

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